No fantástico mundo de Alice – de novo!

•December 7, 2015 • Leave a Comment

20151205_185131O aniversário da minha amiguinha Alice teve até fada: e achei uma graça quando ela disse que estes seres elementais estão entre nós, por exemplo, a professora pode ser uma dela, afinal às vezes ela age de modo estranho. Cheguei a animação da comemoração estava a todo vapor. Esperava um apê como no ano 20151205_185141passado e já fui no caminho mirabolando entradas e saídas ligeiramente mais intimistas. Mas a festança foi no salão de festas da avó, no térreo do prédio! Puxa, a grama, os brinquedos alugados, a pipoca, o algodão doce pareciam mais irresistíveis. Eu e a mãe achamos que 20151205_185149na hora em que o pessoal se concentrasse lá dentro pro bolo, talvez antes, podia ser a deixa pra começar. Sabe aquela rara experimentação duma incomum timidez numa extrovertida ex avestruz? Baita exercício de alteridade para quando os amigos reclamam de ficar sem graça em diversas ocasiões. Na hora do parabéns, a cantoria foi mais ágil que minha sem 20151205_185249gracice. No final saí perguntando à criançada se gostavam de histórias, se queriam ir pro banco do jardim onde brincaram com a fada pra eu contar uma. E achei engraçadinho a Alice dizer que ainda tinha que distribuir o bolo – e de quebra, enfiar um pedaço na minha mão como quem diz “sossega aí dona contadora”. Comilança e negociatas mais tarde, 20151205_185443mudamos de ideia quanto ao banco. O céu ameaçava cair, o que não seria bem vindo à garganta das crianças. Ficamos no meio termo – cobertos, mas de paredes livres. O tema da decoração eram fadas e dinossauros – Alice me lembra vagamente: nada de rosa ou personagens típicos. Fui com A Princesa que Não Tinha Reino a tiracolo: trabalha, gosta do bobo e não tem ideia de onde está o seu reino. Da mãe já20151205_185255 ter comentado antes dos orixás, carreguei ainda Uma Princesa Nada Boba, contando da força das guerreiras afro e meio que mostrando que todas podemos ser princesas, mesmo fora do modelinho Disney pasteurizado. A criançada ainda brincou um pouco com os elementos de cena, mas acabei arrecadando de volta, já que o toró chegou e as duas personagens tinham guarda chuva – um vermelho e outro roxo, meio que dava para escolher. Uma parte do caminho fui sem, talvez o signo e ascendente fogo dessem mesmo esse calor meio fora do compasso. É de esquentar o coração em pleno fim de inferno astral ser lembrada um aninho depois por uma família tão cheia de artistas, palavrões e superações – a mãe da aniversariante acaba de escapar dum atropelo com a bebezinha que só tem 3 meses no colo, mas o susto deixou suas dores na história dela. Feliz ano novo pros foguetes meio gente e meio cavalo, à lá Adriana Calcanhoto!

Sobre tudo que aprendi formando e me reformando

•December 1, 2015 • Leave a Comment

CirandaA gente estuda, estuda sobre as histórias, mas sempre se surpreende com o quanto elas nos balançam. Participei duma roda de histórias com o Museu da Pessoa e diferentes formadoras apoiadas pelo edital Impaes e coordenadas pelo CENPEC. Já era uma forma de trazer experiências à tona que confirmam “a vida supera qualquer ficção” que conheci e vivenciei noutros contextos – o teatral, o literário… Mas sempre emergem as emoções que volta e meia cantamos para subir, mas ficam lá submersas. Ali partilhamos histórias dos projetos. Mas vieram outras à mente, que pareciam não caber naquele círculo sagrado tanto para os indígenas quanto para os africanos, mais profissional naquela manhã de trocas. E de exercício raro de escuta. Minha coordenadora me reforçou na prática que só fomos criadas para sermos competitivas, mas que quando a ânsia de esparramar a arte e suas potencialidades se sobressai, esse preconceito evapora. Temos conexões indiretas amorosas em nosso passado longínquo, o que não nos impediu de trabalharmos nos horários mais malucos em torno da formação das professoras infantis com quem entramos em contato e ainda nos divertirmos nas poucas brechas encontradas. A equipe não cansou de se espantar quando volta e meia já caía da cama pilhada. Me pareceu ter trabalhado inconscientemente o ego nesse processo, deixando o viés educativo no centro e não o artístico. Afinal eram centros de educação infantil e não centros mirins de cultura! Vivenciei que Isaac Bernat, o autor do livro Encontros com Griô Sotigui Koyaté, estava certo em levantar o histórico dos alunos e valorizar essa trajetória – pois é graças a ela que nosso olhar se sensibiliza, desvela e direciona o holofote ao que temos de mais único e especial. Este mestre também me mostrou que não estava de todo errada querendo conectar contação e teatro noutra oficina para crianças ano e pouco atrás. Entendi que contar histórias mais intensamente já deixou em neon o quanto queria vivenciar mais esta experiência com a infância, só que estar semanalmente nas creches simplesmente deixou o instinto maternal sufocado sem rédeas. Percebi que dar aulas é aprender em dobro, mas formar potencializa isso ainda mais – qualquer troca, leitura, conferência de vídeo ou matéria da área me fazia sentir como era importante reverberar isso – e aqui voltava à minha versão assessora de imprensa, sentia falta de trocar e-mails com as professoras, mas olhando para as mesmas educando, limpando, alimentando, colocando para dormir, preenchendo agenda e fazendo relatório dava para compreender a falta de espaço para isso. Orgulhozinho que com todo esse aperto e ritmo desenfreado, elas ainda se desdobram, colocam suas criatividades para dançar com as das crianças, pintam e bordam na creche toda ao fim de um ano de muita ralação e surpreendemente recebemos muito mais pais que o imaginado – aqui suponho que os pequenos mesmo já devam ter feito uma propraganda eficaz em suas famílias, pois os retornos aos avisos nas agendas e convites nos portões não nos davam a dimensão dessa circulação toda da comunidade no encerramento de projeto. Nem todos fazem essa associação: mas se cuidar de só um filho, afilhado, sobrinho, priminho, já é de deixar a língua para fora, imagine uma sala caprichada com amiguinhos, vizinhos e coleguinhas? Choverei no molhado, mas como professora infantil precisava de maior valorização. O quanto a educação ainda é moeda de troca, palco de guerra (agora com as disputas nas ocupações das escolas estaduais), espaço de descoberta, perigo para os que seguem tratando os mais vulneráveis do modo mais displicente possível. E de cortar o coração como até envolvidos nessa possível forma de melhorar o mundo subestimam este cenário potencial de transformação. Ou o veem de modo ainda enviesado. Mas há que se perdoar os olhares ainda semi cerrados.

Essa ribalta que me arrebata

•August 19, 2015 • Leave a Comment

1[2] - CópiaEra só uma oficina para gravar reportagens mais desinibida há 16 anos. Outra amiga foi comigo, mas o chamado não bateu nela como ressoou em mim. E nós, “jornalêras” de meia pataca achando que TV era difícil. Sabíamos de nada inocentes! Desafio foi ser sexy em Miseráveis sem forçar a barra, foi bancar a feiticeira do elemento terra no Shakespeare Apaixonado em paz comigo, tão diversa das parceiras de cena e tão fora do padrão “modelo/ manequim” que ainda empesteia coxias adentro. “Mistério de Fátima” foi entender a performance em volta das cenas centrais que o diretor de O Processo pedia e nos reinventar. Corridão foi trocar de figurino, maquiagem e intenções corporais a toque de caixa para manter Enfim, o Paraíso com visual no capricho. Mágico foi fazer teatro de rua no Artista da Fome para os moradores de rua do Arsenal da Esperança com a Cia Estável. Descobrir o teatro como forma de dizer a verdade criticando corporativismo no teatro empresa da Saint Gobain lá em São Vicenteensaio e me sentir a boba da corte, paga para divertir falando a verdade sem ser degolada. Artesanal foi lapidar gesto a gesto, fala a fala, com Joca Andreazza em cena de Nelson Rodrigues para compor Assombrações no teatro Augusta. Iluminar cenica e budistamente pela risada com a direção cômica sarcástica da Cristina Mutarelli neste processo. A descoberta do começo duma paixão irreversível pela contação e as crianças no teatro escola infantil feito no Arujá me deixou sem fala. Literalmente. Pausar o tempo jogando conversa fora na coxia, chegando mais cedo pros ensaios e burilando prosa Hamelt 062com parceiro musical entre as pernas de pano laterais do teatro Ruth Escobar. Se lambuzar – ao pé da letra – na gelatina na Fundação das Artes pra explorar Shakespeare, ainda que os colegas da plateia não tenham entendido. Improvisar, divertir, fugir da lógica no Minhocão e Centro Cultural do Jabaquara na invencionice do Teatro Real, ganhando reconhecimento fotográfico depois. Escrever e atuar sobre era de ouro do rádio pro Festival dos Calouros na Faculdade Paulista de Artes. Engolir, digerir, interpretar e fazer o professor rir com parte do monólogo da professora Margarida. Se deliciar com a amiga só reconhecer a gente pela voz na releitura cênica do Cabaré. Descobrir minha clown garota enxaqueca via fórceps num retiro de palhaço

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doloridinho. Fazer chorar, rir, querer fotografar a plateia mirim nas contações de histórias, mas seguir adiante, pois como encerrariam os ancestrais indígenas suas histórias: …e é assim até hoje. Entender neste dia do ator, que estar mais distanciada dele do que minha saúde aguenta reforça nossa paixão cênica irreversível, minha e de todos que tem esta profissão mais espiritual do mundo, como diriam os budistas: a de se esquecer para viver o outro. E renovar a alma para mais tarde morrer Francine e renascer lavadeira na escola. Feliz palco para você também.

Onça que Espirra Não Come Carne

•July 27, 2015 • Leave a Comment

OncaOs Rendeiros Contadores de Histórias vestiram os macacões de operários cênicos e sábado e transformaram Plínio Marcos num infantil recheado de cultura popular, circo e como se não bastasse… LIBRAS! Da manhã até o finzinho da tarde foi um “mistério de Fátima” se São Pedro os expulsaria ou não do escadarão do Bixiga, mas a chuva forte matinal deu trégua neste sábado ali ao lado do Teatro Ruth Escobar. A história brinca com as tensas relações entre oprimidos e opressores, além de mostrar o quanto a esperteza pode nos salvar a pele. Os atores passaram por um processo de sete meses até a estreia deste sábado: era interpretação, canto, circo e sinalização para os surdos. Não, o intérprete da LIBRAS não estava ao lado. Quem não ouvia pode passar pela experiência da fruição do figurino meio “pião de fábrica”, da expressão dinâmica corporal, das músicas da cultura popular brasileira, do cenário meio construção sustentável, da música e ora conferir os sinais interpretados por vários atores, às vezes por um só. Foi um sobe-desce, enrosca, desenrosca no elástico, sobe no parceiro, rola para um lado, brinca com o público do outro… O estandarte, a música do Divino, as brincadeiras da tradição oral consolaram quem quer conhecer o sertão como eu, mas ainda não conseguiu. Para quem não é do palco, deve ter sido uma experiência cênica e tanto conferi-los montarem a estrutura do cenário, pois se trocar perante ao público até acontece mais, mas provar como temos que fazer de tudo um pouco pondo redes, escadas e bambus para cima, nem sempre. Uma espectadora mirim riu tanto num momento meio neutro para os adultos que foi uma roubada de cena à parte. Gentileza da produção disponibilizar umas almofadinhas para conferirmos o espetáculo. Nunca havia visto teatro de rua com iluminação. Devido ao receio do toró da manhã voltar, a montagem e início atrasaram, porém o fim da tarde e começo da noite valorizaram as pequenas luminárias destacando uma expressão facial, um cenário ou figurino. Os atores brincaram muito com suas próprias dificuldades, limitações e eventuais erros em cena, o que transformou a peça infantil na conferência de uma série de possibilidades lúdicas, meio que no mesmo caminho das artes visuais: um erro não tem que ser olhado de forma negativa, pode ser um caminho novo a ser explorado. Interessante a opção política do texto, ainda que se pensando numa encenação para crianças. Após o espetáculo aconteceu um coquetel na sede da companhia Teatro Documentário, no mesmo bairro, onde estavam expostas imagens dos ensaios, maquete do cenário, desenhos das maquiagens, rodava um vídeo do processo, essas etapas eram explicadas, só senti falta de saber como essa divertida fábula de Plínio Marcos foi parar nas mãos deles e as razões para optarem por este caminho em que o ofício do ator vira um misto de trabalho braçal com emocional – mas diverte, faz refletir, chama o público a participar e ainda dá uma saudade da montagem em grupo que vou te contar! A plateia contou com espectadores especiais e eles pareceram curtir a montagem: mais tarde ao sair do coquetel uma delas reclamou:

– Mas já…?

O teatro não tem colocado o deficiente no centro da criação e esta foi uma opção diferenciada de se renovar Plínio Marcos, tanto que o grupo ganhou a 1a edição do prêmio Zé Renato para circular e ainda fará cursos rápidos pela periferia de São Paulo. Tive saudades de minhas aulas de LIBRAS e assistindo tentei resgatar o que a professora de tiradas impagáveis ensinou. Oportunidade e tanto para cantar, integrar públicos, rir e ainda sugerir ao personagem como tapear a onça a fim de não virar a janta da carnívora insatisfeita com sua dieta. Não podia imaginar Plínio enveredando por este caminho meio lúdico meio militante precoce. Até o filho dele foi conferir. O grupo ainda apresentará nas zonas leste, sul, fará sarau, um “pit stop” em Embu das Artes, além de oficinas para professoras e público especial. No mínimo para entender o título engraçado, a peça vale a pena. Os atores estão brincalhões sem infantilizar, militando sem panfletar exageradamente, além de explorar os recursos cênicos mais mágicos pra quem vê: malabarismos corporais, músicas do domínio público, pondo quem assiste dentro da proposta. Um encanto engajado!

Preenchida

•June 18, 2015 • Leave a Comment

afrofest3Os últimos tempos têm sido literariamente especiais. Faz pouco participei da rica Afro Fest na Bela Vista, em apoio ao restauro da Vila Itororó (que há anos retratei no projeto de guia do Bixiga da Associação Novolhar), revendo a amiga da Casseta Mercantil (assim como eu, ela zarpou para a educação) e ainda sendo mimada pelo namorado coruja. Sempre reencanto compartilhando com o público mirim os elementos de cena. A sacola de palha vira mágica para ele! E como a colega da facu que revi online depois, quase fali em meio aos expositores vendendo turbantes, bonecas, livros, roupas… Gratidão com a “aulazona” dos orixás e cultura afro com a artesã da Cria Criola!

Pouco tempo depois comecei e terminei o sábado em meio às histórias: cedo em Guarulhos, na Flipar, Feira Literária do Parthenon9Colégio Parthenon, brincando com o livro Filomena Firmeza, de Patrick Modiano, da Editora Cosac Naify e naquelas linhas viajando de volta a Paris, estação Gare du Nord, imaginando como seria a bailarina que em mim nunca nasceu… Desta vez sendo a personagem da história, ao invés de me distanciar como narradora. E não é que a Filó, assim como eu, curtia se distanciar de alguns momentos tirando os óculos? Que relação bonita tinha com o pai, a amiga que emprestava os óculos dela, a saudade da mãe…! Me emocionei com toda aquela divulgação, recepção calorosa, apoio, acolhimento e carinho da escola, não só organizada e profissional, mas como eu, apaixonada por educação e literatura. Foi pré adolescente minha plateia: atenta e curiosa. Sempre dá vontade de pausar a contação e fotografá-los. Queria levar Parthenon6metade da livraria montada lá! Voltei com dois, Capuchinho Cinzento e mais coletânea de histórias afro.

E no fim deste sabadão riiiico, começo uma parceria com a amiga do Teatro Real, em São Caetano, um espaço mágico e acolhedor, contando a lenda indígena de surgimento da noite e As Horrorosas Maravilhosas, de Elias José, reconto das Três Fiandeiras (dos Grimm e Teófilo Otoni). Divertido acompanhar as crianças depois de dar tanta atenção, se deliciar entre todos os elementos de cena do espaço, que pra eles vira brinquedo rápido. E sorte danada que meus óculos voaram, mas permaneceram inteiros. Só bambeou minhas pernas Parthenon3ouvir uma mocinha de tranças analisar:

– Foi tão bonito o que você fez ali (no palco de arena).

Fora que a produtora arrumou tudo com cadeiras, almofadas e tapetes coloridos, dum jeito em que todos nos sentíamos em casa! Trouxe chocolatinhos, histórias das crianças se deliciando ali antes (imagine a memória mágica desses filhos de atriz no futuro) e ainda convite cênico indecente… Nham nham!

Vem aí: contações nos colégios Rio Branco e Objetivo!

Volta às Origens

•March 18, 2015 • Leave a Comment

BiblioSesc26Simbólico voltar à rua em que comecei fazer teatro 16 anos depois, desta vez contando histórias pelo BiBlioSesc, tornando o projeto “Que Feminino é Esse? Novas Heroínas” mambembe pelo ABC e celebrando o mês da mulher cenicamente.

A biblioteca volante ficava em frente à Escola Oscar Niemayer. Uma pracinha, em que o público prometia ser volátil. Aproveitando que nosso banheiro temporário era o do colégio, resolvemos propor à equipe pedagógica levar as contações para os estudantes da tarde.brinquedoteca28

E não é que toparam? Como na época do teatro escola ecológico infantil Terra Viva, que fiz no Arujá, ganhei o pátio. E os “alunos” foram descendo… Descendo… 150 estudantes, de várias turmas. E eu, sem conseguir carregar a caixa de som de 6,5 kg que tentei alugar com uma indicação de um amigo, recorri ao gogó, já aquecido logo cedo… E seja o que Dionísio quiser!
Sabe pré adolescente? De 10 a 15 anos, pela sondagenzinha que fiz com uma professora tinham 5o, 6o anos… Estavam com uma carinha boa. Não tem jeito, gosto deles, embora seja um “mistério de Fátima conquistá-los”. Saquei da sacola de contação a Princesa que Não Tinha Reino, de Úrsula Jones, com uma brinquedoteca26heroína alternativa e as Horrorosas Maravilhosas, de Elias José, “recontagem” de 3 Fiandeiras, que tem ainda versões de Grimm e Teófilo Otoni.

Temperei com canção de chegança “Uma História” do Palavra Cantada (infantil? Olha que eles aquietaram…) e o clássico “olê mulê rendeira, olê mulê rendá, tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar”. Olha, os aplausos e assovios quase não me deixam apresentar os livros, o projeto e esse sonho de biblioteca volante do Sesc São Caetano. Só a obra do Elias tem uma história à parte, pois ele não viu a desenhista/ bordadeira terminar e as imagens quase saltam das páginas!

Não lembro de outra acolhida tão generosa e acalorada, nem de outra plateia tão grande. A escola estava uma graça, BiblioSesc22como as municipais têm outro tratamento! E com os maiores dá para deixar a sacola no chão (atraente demais para os pequenos), esquecer estrategicamente um objeto de cena no canto para retomá-lo, dar mais ênfase à manipulação de outro… Quem diria heim? Os pré adolescentes foram tão gracinhas que saí de lá bem emocionada.

E quando terminei, os arte educadores do projeto Vivarte anunciaram os cursos livre gratuitos de teatro que a cidade oferece, de graça. Tem um BiblioSesc23pessoal da Fundação envolvido, quase que dei uma recomedação “também fiz, aqui comecei”!

Dá um quentinho no coração encontrar nosso lugar no mundo… E até uma vontadezinha irresistível de chorar de alegria à toa!

“Contação” terapêutica e periférica

•March 4, 2015 • Leave a Comment

IMG_20150304_100756941[1]Hoje cruzei dois municípios do ABC “fantasiada de princesa” para começar o projeto “Que Feminino É Esse? Heroínas Femininas” no CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) de Mauá na Vila Mercedes. Devo ter causado de corpete de veludo e turbante colorido na cabeça: no interior o pessoal não “causa tanto” no figurino, mas não prestei atenção: fui relendo parte do repertório Donzela sem Mãos e a Princesa que Não Tinha Reino, já que sempre descobrimos novas surpresas nas entrelinhas. Saião meio rendado é trágico pra circular no transporte público ou eu sou meio distraída (também não dá pra segurar “sacola surpresa da história”, agenda e a saia). Não ia para lá há 16 anos, desde meu estágio no Diário do Grande ABC. Então é redescobrir o lugar né? Tem um parque IMG_20150304_101929194_HDR[1]ecológico perto da estão Guapituba. Deu vontade de conhecer, mas acabei voltando com os parceiros do BliblioSesc São Caetano. E caçando o número do CRAS, me senti muito no interior encontrando uns girassois na calçada.
Acabei me adiantando horrores por não saber se a previsão do Google estava superfaturada ou não. Esperei o professor de circo entreter a criançada com suas atividades, negociei uma esperazinha no almoço e percebi que a criançada tinha menos de 10. Minha produtora lembrou que antes dos 11 repertório caprichado de medo como os contos que escolhi nas Mulheres que Correm com os Lobos IMG_20150304_102045963_HDR[1]é dar tiro no pé. Optei pelas lúdica Horrorosas Maravilhosas, de Elias José, “recontagem” das 3 Fiandeiras dos Grimm e Teófilo Otoni e o livro desta princesa alternativa que já vim namorando no trem.
Eles “ajudaram” a fazer cenicamente os bordados que a moça precisava para conseguir o marido na história de Elias. O hiperativo pirou no guarda chuva da Princesa que Não Tinha Reino. Depois quiseram ver o livro, falei do projeto do caminhão itinerante com livros do BiblioSesc e quiseram saber de documentos, carteirinha, empréstimo… Bingo!
Claro que tem que ter as surpresas em cima da hora. O turbante que cai com tanto suor. A maquiagem que vai nos abandonando depois de caminhaaaadas entre a chegada ao trem São IMG_20150304_102124523_HDR[1]Caetano e a caça ao endereço perto do parque Guapituba. O menininho com a corda toda que já deu pistas que queria mergulhar na sacola de elemento cênico e por isso fiquei com ela no ombro. Mas também teve a cadeirinha que ele deixou vaga e eu explorei na hora em que não um banquinho mixuruca pra Princesa que Não Tinha Reino. Pois o que não está no roteiro também vira criação em cima da hora.
As “contações” programadas para este mês serão: em São Caetano, na IMG_20150304_102253977_HDR[1]Praça Cardeal Arcoverde, em frente à Igreja Sagrada Família, dia 7 de março, às 11h e na frente da Escola Municipal Oscar Niemeyer, esquina da avenida Paraíso com a Visconde de Inhaúma, dia 17 de março, às 14h, em Mauá no CRAS Feital, avenida Benedita Franco da Veiga, 1083, 6 de março, às 14h, no Posto de Saúde Paranavaí dia 19 de março, ao meio dia, rua Rolândia, 252, em Mauá; em Diadema, na Praça Serraria, na avenida Rotary, 159, dia 11 de março, ao meio dia e na Praça da Moça, rua Graciosa, 300, dia 13 de março, às 14h, no centro de Diadema.
Como estão programadas apresentações em espaços terapêuticos, estou resgatando a contação de histórias terapêutica estudada na Associação Viva e Deixe Viver e aplicada no Cruz Azul, nas próximas aos centros comerciais, devo relembrar o que fiz no teatro de rua com Cia Estável no Arsenal da Esperança. A bibliotecária acha que haverá apresentação numa escola, talvez em Diadema, resgatarei o teatro escola ecológico infantil que fiz no Arujá com a produtora Tearts. Mas o tom do mês das mulheres vem mesmo das cenas e narrações dramatizadas de histórias lá no Movimento das Mulheres do Heliópolis. E antecipando 8 de março, viva a mulherada!